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Gil do Vigor volta ao Sport como diretor de diversidade: "Sempre gostei de ser aquele que vai para o ataque"

Ex-BBB e economista, Gil do Vigor vira diretor mais de um ano após caso de homofobia no Sport e afasta posto de vítima: "Nunca permiti que as pessoas me enxergassem nesse lugar"

GLOBOESPORTE.COM / CAMILA ALVES


Gil do Vigor Sport Ilha do Retiro — Foto: Anderson Stevens / Sport

Gil estava gravando uma publicidade, em maio de 2021, quando 10 segundos de um áudio, enviado pela própria mãe, o paralisou. Eram ofensas homofóbicas vindas de um conselheiro do Sport - justamente o clube que sempre teve orgulho de amar. Um ano depois, Gil está de volta. Não para falar do episódio, mas por um novo desafio: mudar o Leão de dentro para fora.

Gilberto Nogueira - mais conhecido como Gil do Vigor - virou Diretor de Diversidade do Sport, eleito em uma chapa com 96,5% de aprovação da torcida e sob a responsabilidade de fazer do Rubro-negro uma instituição inclusiva.

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O medo e a preocupação chamam a atenção no discurso do pernambucano, que sempre teve dificuldades em trabalhar a própria sexualidade. Havia receio sobre o julgamento das pessoas e, justamente por isso, Gil terminou se surpreendendo ao deixar o Big Brother Brasil, em maio do ano passado, sendo abraçado "pelo pessoal do futebol", como ele conta.

Foi assim que pisou os pés no estádio de seu clube de coração pela primeira vez: a Ilha do Retiro. Não imaginava, contudo, que uma simples dança no campo - o famoso Tchaki Tchaki - seria alvo de falas homofóbicas do conselheiro do Sport, Flávio Koury, e passariam sem qualquer punição.

- Eu falo até hoje que foi o momento mais difícil do meu pós Big Brother. Naquele momento eu não queria mais nada. O sentimento era de que não vou mais fazer nada - conta Gil.

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Ele permaneceu por quase quatro dias paralisado. O baque depois da euforia era pelo abraço do público que não se estendeu ao Conselho Deliberativo de seu próprio clube.

- Ele pediu desculpa e seguiu a vida dele, mas o trauma que me gerou… Uma desculpa não vai mudar. Eu reduzi a quantidade de vezes que fazia o tchaki tchaki. Não sei se as pessoas chegaram a perceber. Aquilo me impactou de tal forma que até para o que era muito natural meu, eu fazia e algumas vezes voltava essa imagem.

Gil quase negou a proposta de integrar a diretoria de diversidade, porque não queria sua presença ligada ao episódio traumático. Decidiu, contudo, aceitar.

As conversas entre Gil e o Sport começaram no início do ano, sem detalhes sobre de que forma essa contribuição aconteceria, e chegaram ao desfecho passando pelas limitações de tempo e fuso horário do economista, que faz PHD nos Estados Unidos.

Na Ilha, assume o combate à LGBTQIA+fobia - mas também está incluído nas questões referentes à discriminação racial, violência contra a mulher e melhoria do bem estar para PCDs.

- A gente não quer algo decorativo, para falar que tem e ficar ali. Queremos ser atuantes, trazer as pessoas e mostrar que o respeito e diversidade tem que estar ali para todo mundo - afirma.

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O primeiro encontro de alinhamento aconteceu na última quinta-feira, quando Gil chegou ao Recife, e os projetos também começaram a ser desenhados - com foco ainda na torcida e não para atletas ou no departamento de futebol, por exemplo. Serão meses sob a promessa de novos tempos na Ilha do Retiro, carregados pela empolgação na voz do pernambucano.

- Meu objetivo final é fazer com que as pessoas se vejam dentro de todos os esportes, inclusive no futebol. Quando fui para o Big Brother, não imaginava que as pessoas do futebol iriam torcer por mim. Eu não imaginava que era possível, porque existe um estereótipo. A minha meta é que a gente consiga quebrar isso.