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Manipulação na Série B: advogado acredita na inocência de empresário preso suspeito de participar do esquema

Ralph Fraga admite gosto de Bruno Lopez de Moura, preso em São Paulo, pelas apostas esportivas, mas diz que fato não é suficiente para relacioná-lo com a prática criminosa

GLOBOESPORTE.COM / FERNANDO VASCONCELOS E RODRIGO CASTRO


Advogado diz que preso suspeito de participar de manipulação na Série B é inocente

Preso temporariamente na operação “Penalidade Máxima', que revelou esquema de manipulação de resultados em três jogos da última rodada da Série B do ano passado, o empresário Bruno Lopez de Moura foi apontado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) como responsável por fazer as apostas e intermediar contato com os jogadores envolvidos no esquema.

O advogado de Bruno Lopez, Ralph Fraga, acredita que o empresário seja inocente e aguarda o fim das investigações. Ralph concedeu entrevista ao ge e explicou a relação de Bruno com o mundo do futebol. O advogado admitiu que Bruno Lopez tinha o hábito de realizar apostas esportivas, porém, ressaltou que a simples prática não configura nenhum ato ilícito.

- A defesa ainda não teve acesso à integralidade dos elementos da investigação, que foram constituídos mais especificamente ontem (quinta-feira). O fato de ele (Bruno) fazer apostas não dá para afirmar com clareza que ele fez apostas nesses três jogos. Mas ainda que tivesse feito, é preciso confirmar que essas apostas foram feitas com intuito criminoso, sabendo que seria algo fraudado e manipulado, para que então possa criminalizá-las. Fora isso, seria uma prática absolutamente comum nos dias de hoje – disse Ralph Fraga.

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De acordo com o promotor de Justiça do Ministério Público de Goiás Fernando Martins Cesconetto, Bruno Lopez foi o responsável por dar o “sinal' de R$ 10 mil aos jogadores envolvidos no esquema e também por fazer a cobrança a Romário, até então jogador do Vila Nova, pelo insucesso da aposta.

- Ele (Bruno) atua nessa frente, ele é o responsável por realizar, de fato, a aposta, por também promover contato direto com os jogadores e também por fazer a cobrança, o que deu errado – disse o promotor Fernando Cesconetto.

A operação deflagrada na última terça-feira apontou manipulação de resultados em três jogos da última rodada da Série B do ano passado. Segundo o promotor de Justiça, os jogadores envolvidos deveriam cometer pênaltis no primeiro tempo das partidas.

Os jogadores envolvidos no esquema foram Romário, ex-Vila Nova, Mateusinho, ex-Sampaio Corrêa e que atualmente está no Cuiabá, e Joseph, do Tombense. Além deles, o volante Gabriel Domingos, do Vila Nova, teria emprestado a conta a Romário para o recebimento do sinal de R$ 10 mil.

Em caso de êxito na aposta, os três jogadores diretamente envolvidos receberiam mais R$ 140 mil, totalizando R$ 150 mil para cada. Houve pênaltis marcados nos jogos entre Criciúma e Tombense e Sampaio Corrêa e Londrina, cometidos por Joseph e Mateusinho, porém, não houve pênalti marcado no jogo entre Vila Nova e Sport, o que impediu o sucesso da aposta. Romário não foi escalado.

Leia na íntegra o posicionamento de Ralph Fraga, advogado do empresário Bruno Lopez, preso na investigação do MP:

A posição de Bruno sobre a prisão

- É importante a gente fazer uma distinção entre o que tem sido veiculado e o que de fato ocorre do ponto de vista processual penal. O Bruno, até o momento, não é acusado de absolutamente nada. O que está ocorrendo é uma investigação, chamada “Penalidade Máxima', que investiga possíveis crimes cometidos no âmbito esportivo e em especial a manipulação de resultados na Série B do Campeonato Brasileiro. É algo muito pontual em relação a esses três jogos da última rodada. Não há uma acusação no momento, a própria prisão dele é cautelar temporária decretada sob o fundamento de que seria imprescindível para o curso das investigações. É temporário, ela perdura por cinco dias e é prorrogável por mais cinco dias, mas somente por razões de se investigar, produzir elementos, etc. Não há uma prisão do ponto de vista acusatório ao Bruno.

Relação com os três jogos investigados

- O que se refere efetivamente ao Bruno seria a corrupção ativa do âmbito esportivo, que consiste em dar ou prometer vantagem, seja ela patrimonial ou não, a um atleta para que ele manipule um resultado esportivo. Não é simplesmente por causa das apostas. É preciso ter em mente que a conduta investigada em relação ao Bruno é se ele havia prometido ou dado alguma vantagem a jogadores para que se manipulasse resultados do Campeonato Brasileiro.

A relação de Bruno com as apostas esportivas

- O Bruno, assim como milhares de brasileiros entusiastas do esporte que acompanham o futebol, tinha o hábito de fazer apostas nessas plataformas esportivas. Inclusive, ele seguia e participava de grupo de traders esportivos de relevância, que mandavam dicas, etc, de possíveis resultados. De certa forma, ele aposta, sim, como também repassava dicas para amigos. Mas isso, até então, de forma absolutamente legal e lícita, sem nenhuma eventualidade criminosa. Não está se procurando punir o apostador. A defesa ainda não teve acesso à integralidade dos elementos da investigação, que foram constituídos mais especificamente ontem (quinta-feira). O fato de ele fazer apostas ou não, não dá para afirmar com clareza que ele fez apostas nesses três jogos. Mas ainda que tivesse feito, é preciso confirmar que essas apostas foram feitas com intuito criminoso, sabendo que seria algo fraudado e manipulado, para que então possa criminalizá-la. Fora isso, seria uma prática absolutamente comum nos dias de hoje.

Atividade de Bruno no mundo de futebol

- O Bruno é atleta profissional, ele jogou futebol na Alemanha por cinco anos. Ele constituiu uma empresa, a ABC Esportes, inclusive mencionada nas investigações, com o objetivo de agenciar atletas. O principal ramo de atividade dele hoje é produzir atletas para que eles sejam vendidos a clubes. Ele capta promessas do futebol, dá estrutura para as famílias desses jovens por meio de investidores, para que se formem jogadores para serem comercializados no mundo externo da bola. Portanto, as apostas não eram seu ramo de atividade. As apostas eram um hobby que ele tinha.

Posição sobre os “prints' de conversas de Bruno com jogadores do Vila

- O Bruno não deu detalhes e não se recorda exatamente do que teria disponibilizado no seu celular, que está de posse do Ministério Público. O Bruno tinha contato com vários jogadores porque ele é do ramo do futebol. Qualquer contato que se tenha com jogadores, ainda que eles sejam envolvidos em práticas de cunho manipulador, isso por si só não é suficiente para relacionar a nenhuma prática criminosa. É preciso que se adéque os fatos ao tipo penal. Essas conversas foram de qual teor? A título de que eles foram realizadas? O Bruno está oferecendo vantagens para jogadores manipularem resultados de futebol? Fora isso, caso tenham essas conversas de forma explícita, a defesa não tem com o que se preocupar. Mas ressalto: a defesa está tendo acesso aso elementos da investigação nesse momento e vamos avaliar a conduta efetiva do Bruno de forma que mais para frente termos mais esclarecimentos que possam demonstrar sua inocência. Esse é nosso objetivo e é o que acreditamos.