Policial
Mulher cai em golpe do falso advogado e perde mais de R$84 mil via PIX
O Banco Central anunciou novas regras para devolução de valores perdidos por meio de golpes utilizando essa forma de pagamento
CORREIO DO ESTADO / KARINA VARJãO
Uma mulher de 57 anos perdeu R$ 84,5 mil na última sexta-feira (12) em Campo Grande em um golpe de “falso advogado” por telefone.
De acordo com a polícia, ela recebeu a ligação de um homem que se passou por seu advogado e pediu as informações de seus dados bancários prometendo liberar valores retidos de processos judiciais.
Sem desconfiar de golpe, a mulher informou os dados de uma conta onde mantinha R$ 68,5 mil guardados.
Mesmo assim, o golpista ainda alegou que precisava movimentar dinheiro para não misturar o valor com outros depósitos. Assim, a vítima realizou duas transferências via PIX paraa mesma conta, uma de R$60 mil e outra de R$8,5 mil. Em seguida, enviou mais R$16 mil para uma outra conta, em outro banco.
Só após concluir as três transferências, a mulher desconfiou da situação e decidiu ligar para o real advogado, que confirmou que nenhum dos procedimentos da vítima havia tido andamento e que, infelizmente, ela havia caído em um golpe.
A mulher e o advogado registraram boletim de ocorrência. O advogado relatou aos porliciais que outros quatro clientes receberam ligações do mesmo golpista, mas não chegaram a realizar as transações.
Regras do Banco Central
Em agosto, o Banco Central anunciou mudanças para ajudar a recuperar o dinheiro roubado através de fraudes com PIX.
Esse meio de pagamento, o PIX, foi o responsável por movimentar R$26,46 trilhões no país, por ser acessível, fácil e rápido, se tornando o meio de pagamento mais usado no Brasil.
Do mesmo modo, o Banco Central também registra cerca de 400 mil fraudes por mês via PIX.
Assim, o MED, Mecanismo Especial de Devolução, é o responsável por tentar amenizar o impacto desses golpes. Ele é acionado quando o cliente informa ao banco que caiu em um golpe, fazendo com que a conta que recebeu o PIX seja bloqueada.
O problema é que os bandidos são rápidos e costumam distribuir o dinheiro roubado em várias contas, evitando o bloqueio dos valores em uma única conta destino.
Isso deve mudar a partir de outubro, quando os bancos deverão criar um botão na área do PIX para que o comunicado seja mais rápido.
De acordo com o Banco Central, os testes para rastreio do dinheiro começam no mês de novembro e a ferramenta passa a ser obrigatória a partir de fevereiro do ano que vem.
Uma vez declarada a fraude, o banco vai identificar e bloquear as contas usadas pelos golpistas. O Banco afirma que o prazo para devolução do dinheiro será de 11 dias a partir da contestação do valor.
'Quando você contesta, a instituição vai te perguntar como ocorreu essa fraude e você vai ter oportunidade de dizer que foi por coerção, foi por acesso indevido à sua conta, foi um golpe. Feita essa comunicação, a instituição imediatamente bloqueia os recursos', disse Renato Gomes, Diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução BC.
