Dois anos após ativar fábrica, Ribas ganha R$ 42 milhões em investimento de água e esgoto

Mesmo com Parceria Público Privada, quase 25 milhões de reais do pacote anunciado pela Sanesul serão voltados para atender esgotamento sanitário

CORREIO DO ESTADO / LEO RIBEIRO


Nas palavras do diretor-presidente da Sanesul, "Ribas tem uma peculiaridade", já que teria sido palco de um rápido crescimento populacional - Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

Ainda em 2021, sob o comando do ex-governador Reinaldo Azambuja, o Estado transferiu os serviços de esgotamento sanitário dos 68 municípios onde a Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) atua para a empresa Ambiental MS Pantanal e, dois anos após ativação da fábrica em Ribas do Rio Pardo, anuncia agora um investimento que deve ajudar a suprir o esgotamento sanitário.

Durante evento realizado hoje (15), na sede da Sanesul em Campo Grande, a Agência anunicou pacote de R$176 milhões em investimentos que, à priori, seriam voltados para obras Ampliação e modernização de sistemas de armazenamento de água, para 16 municípios, sendo: 

  • Aral Moreira 
  • Bataguassu 
  • Bodoquena 
  • Chapadão do Sul 
  • Corumbá 
  • Dois irmãos do Buriti 
  • Dourados 
  • Inocência 
  • Miranda 
  • Naviraí 
  • Pedro Gomes 
  • Ponta Porã/Sanga Puitã
  • Ribas do Rio Pardo
  • Santa Rita do Pardo
  • Sonora
  • Terenos

Neste contexto destacam-se os valores voltados para o município de Ribas do Rio Pardo, que há cerca de dois anos ativou - 'sem alarde', como bem acompanha o Correio do Estado - a fábrica de celulose de R$22 milhões da Suzano.

PPP para que? 

Distante aproximadamente 97 quilômetros de Campo Grande, o município pólo da celulose recebe agora exatos R$42.164.939,00 do pacote de obras de água da Sanesul, o que o próprio diretor-presidente, Renato Marcílio da Silva, afirma que será usado para mesmo com o acordo da Parceria Público Privada (PPP). 

Nas palavras do diretor-presidente da Sanesul, 'Ribas tem uma peculiaridade', já que teria sido palco de um rápido crescimento populacional que dobrou o total de habitantes e resultou na queda pela metade da cobertura de esgoto. 

'Quando entrei aqui, Ribas estava explodindo por causa dos investimentos... falei, nós vamos tomar uma providência: eu vou usar os recursos da PPP para investir lá. Nós precisamos fazer um aporte a mais para poder atender o esgotamento sanitário. Nos 42 milhões, acho que são 24 ou 25 para esgotamento sanitário, é a única desse tipo, e mais que a diferença para a água', explicou Renato Marcílio da Silva.

Vale lembrar que, o PPP com a Ambiental MS Pantanal, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) criada pelo grupo Aegea, foi firmado após a companhia  vencer o leilão ainda em 2022, em contrato assinado à época pelo então diretor-presidente da Sanesul, Walter Carneiro Júnior, e pelo CEO da Aegea, Radamés Casseb. 

Essa empresa venceu o pregão com oferta tarifária de R$ 1,36 por metro cúbico de esgoto, que representa um deságio/desconto de 38,46% em relação ao preço inicialmente fixado pelo edital, de R$ 2,21 (m³), frisando em contrato que não haveria aumento de tarifa durante a prestação de serviço.

Com duração de três décadas, a companhia teria a obrigação de investir R$3,8 bilhões de capital privado em sistemas de coleta e tratamento de esgoto nas 68 cidades atendidas pela Sanesul, tudo com o objetivo de atingir a universalização até 2031, quando a cobertura ainda girava em torno de 46% em Mato Grosso do Sul. 

Sobre as metas, o diretor-presidente da Sanesul faz questão de destacar que o objetivo é universalizar o acesso à água em Mato Grosso do Sul até 2028, com o intuito de atingir 90% e frisa. 

Desse 'pacotão', vale lembrar, os recursos fazem parte de contratos vinculados ao programa Avançar Cidades e ao Novo PAC, financiado através da Caixa Econômica Federal e contrapartidas para execução das obras.

Segundo o próprio diretor-presidente da Agesul, a capacidade de investir da empresa gira entre cem e 120 milhões de reais, com os financiamentos externos sendo 'essenciais' para complementar um valor que atinge a casa dos R$250 milhões anuais.