Policial
Médica veterinária alega que ateou fogo em mochila para "extrair verdade" sobre traição e nega intenção de ferir marido
A vítima sofreu queimaduras graves em aproximadamente 30% do corpo
94 FM DOURADOS / FRANCIELLE OLIVEIRA
Na manhã de segunda-feira (22), uma briga motivada por ciúmes e suspeitas de infidelidade familiar quase terminou em tragédia, no bairro Santa Luzia, em Campo Grande. Uma médica veterinária de 42 anos foi presa em flagrante pela Polícia Civil após jogar álcool e atear fogo no próprio marido, um servidor público federal de 41 anos. O crime foi presenciado pelos filhos do casal, de 9 e 22 anos.
A vítima sofreu queimaduras graves em aproximadamente 30% do corpo. Inicialmente, informações preliminares davam conta de que o servidor teria tido 80% do corpo atingido, mas o boletim de ocorrência corrigiu a extensão das lesões. Ele foi socorrido e permanece intubado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Proncor.
Conforme informações do site Midiamax, a suspeita passa por audiência de custódia nesta terça-feira (23) no Fórum Heitor Medeiros, onde o Poder Judiciário decidirá se ela responderá ao processo por tentativa de homicídio em liberdade ou se terá a prisão preventiva decretada.
Em depoimento oficial prestado aos investigadores na delegacia, a médica veterinária deu detalhes sobre a dinâmica do ocorrido e alegou que o estopim foi uma desconfiança sobre a conduta do marido no Distrito Federal.
'Nós estávamos discutindo sobre a possibilidade de um relacionamento dele lá em Brasília e ele estava negando. Eu queria que ele me dissesse a verdade. Foi só por isso e nós retomamos a discussão justamente nesse ponto', argumentou a mulher.
Segundo a versão da acusada, em meio ao bate-boca, ela foi até a cozinha, pegou uma garrafa de álcool de limpeza e despejou o produto na mochila do servidor público, com o objetivo de destruir seus pertences e forçar uma confissão. Ela sustenta que o líquido pode ter respingado acidentalmente e encharcado as roupas da vítima durante o movimento.
A veterinária relatou que o marido correu em direção à garagem para tentar fugir da situação. Ela foi atrás carregando um maço de cigarros e um isqueiro guardados no casaco. A suspeita nega que tenha direcionado a chama contra o corpo do companheiro de forma deliberada.
'Eu quis assustá-lo com o barulho do isqueiro, e ele não acendeu. E eu achei que não tinha acontecido nada; foi só depois que eu vi a camiseta dele mudando um pouco de cor. Foi então que tentei rasgar a camiseta dele para tirá-la', declarou em depoimento.
Durante o incêndio, os dois entraram em luta corporal no chão enquanto tentavam abafar as chamas. O servidor conseguiu tirar a camiseta em chamas, e a filha do casal correu para abrir o fluxo de uma mangueira e jogar água no pai.
Arrependimento
Após conter o fogo, a própria agressora colocou o marido no veículo da família e o conduziu a um hospital particular da cidade. Diante da necessidade de transferência de alta complexidade para a ala de queimados do Hospital Proncor, ela mesma efetuou o pagamento do serviço de uma ambulância privada para fazer o transporte do ferido.
Ao ser questionada pela equipe policial sobre o crime, a mulher chorou e demonstrou forte arrependimento, insistindo na tese de que pretendia apenas intimidá-lo. 'Eu posso ter errado no sentido de ter usado esses métodos para colher a verdade dele, que eu achei que era o único jeito (...) se eu ameaçasse, talvez ele fosse ficar com medo e falar. Mas não era a minha intenção machucar', concluiu.
A defesa da suspeita pontuou no inquérito que a médica veterinária faz tratamento psiquiátrico para depressão e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), e alegou que ela estava sem acesso aos seus medicamentos controlados há cerca de duas semanas, fator que pode ter cooperado para o descontrole emocional. O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Campo Grande.
