Ato de campanha de Riedel, Reinaldo e Contar vira evento em defesa de André Mendonça

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Candidatos ao Governo do Governo ao Senado foram os protagonistas de ato na Afonso Pena, na Capital. (Foto: O Jacaré).

Richelieu de Carlo e Edivaldo Bitencourt – O que vinha sendo divulgado como manifestação “contra as injustiças e o desrespeito à Constituição” acabou se revelando um ato de campanha à reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) e dos candidatos ao Senado, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL. Além do comício eleitoreiro, o grupo aproveitou para demonstrar apoio ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

O evento da mega aliança de 10 partidos em torno da reeleição de Riedel também contou com a participação de candidatos a deputados federais e deputados estaduais e da senadora Tereza Cristina (PP). A organização estima a participação de 5 mil pessoas, entre concorrentes nas eleições de outubro, cabos eleitorais e eleitores nos altos da Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, nesta segunda-feira (7), Dia da Independência do Brasil.

Eduardo Riedel, Reinaldo, Contar e Tereza foram cautelosos em seus discursos e evitaram citar nominalmente o ministro Alexandre de Moraes e outros integrantes do STF envolvidos no escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Eles declararam apoio apenas a André Mendonça, responsável pelo pedido de relatório que citou colegas da Corte e causou uma crise sem precedentes na história recente do Supremo.

Candidatos a deputados, por outro lado, deixaram a precaução de lado e foram explícitos ao pedirem “Fora, Moraes' e nas críticas ao Supremo. O evento “Juntos, o Brasil vai vencer' também não poupou recursos na confecção de faixas, bandeiras e camisas e panfletos.

A senadora Tereza Cristina disse que “todo mundo sabe que o Brasil vive uma grave crise institucional no STF e que podemos vencer esse problema. Comprometidos com a mudança aqui estamos'.

A ex-ministra da Agricultura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou ainda que o presidente do STF, ministro Edson  Fachin, precisa colocar a público as “graves denúncias' apresentadas e “precisamos apoiar o nosso ministro André Mendonça, que não tem medo'. “Não podem tirar a relatoria da sua mão', defendeu a senadora.  

Capitão Contar afirmou, ao lado do ex-governador Reinaldo Azambuja,  que o Brasil vai vencer a corrupção. “Não existem três lados, é ficar do lado da roubalheira ou mudar”. Ele destacou que se Lula for reeleito, o presidente vai nomear mais quatro ministros no Supremo. “Precisamos ter mais Andrés Mendonças no STF', pediu o bolsonarista.

Geralmente alheio a questões ideológicas comparado aos bolsonaristas raiz, Reinaldo Azambuja falou que existe uma ditadura que quer calar a oposição. Sem citar, evidentemente, que em 2018, Lula ficou fora das eleições graças ao Judiciário. 

“A ditadura (do STF) levou para a cadeia o maior líder da oposição, Jair Bolsonaro, precisamos dar proteção ao André Mendonça e estancar a roubalheira dentro do Supremo Tribunal Federal. Para combater a corrupção, o Brasil precisa se livrar dessa ditadura. Essa é a eleição mais importante da nossa história', discursou o ex-governador.

Reinaldo se livrou da Operação Vostok graças ao ministro Dias Toffoli, do STF, que determinou o trancamento da denúncia por corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O ex-governador foi acusado de receber R$ 67,7 milhões em propina da JBS e ter causado prejuízo de R$ 209,7 milhões aos cofres públicos.

O governador Eduardo Riedel pediu para seus apoiadores acompanharem a discussão no STF e apoiarem André Mendonça, “que mostrou sua independência ao fazer o correto'. 

O deputado federal e candidato à reeleição Rodolfo Nogueira (PL) voltou a afirmar que Lula é “bandido' e que o Brasil está sangrando e vai ser resgatado no dia 4 de outubro. O Gordinho do Bolsonaro falou ainda que estão escondendo Capitão Contar para eleger o candidato a senador pelo PT, deputado federal Vander Loubet. “Não podemos colocar um cara que vai votar a favor do STF e do sistema”, defendeu.

Um dos pioneiros do bolsonarismo em Mato Grosso do Sul, o deputado estadual Coronel David (PL) gritou “Fora, Lula! Fora, Moraes!'.

Entre os candidatos de menor expressão, o influencer Bruno Ortiz (Republicanos) destoou dos demais e deu voz a sua rixa pessoal contra o deputado estadual Lídio Lopes (Avante) e pediu que o marido da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), seja retirado da Assembleia Legislativa e a chefe do Paço Municipal deixe o comando da Capital. O candidato a deputado estadual disse tudo isso ao lado de Tereza Cristina, madrinha de Adriane, e foi bastante aplaudido.

Na disputa entre as manifestações no campo da direita, neste feriado da Independência, a vitória ficou com o grupo do governador Eduardo Riedel, que contou com milhares de participantes. O deputado estadual e candidato ao Governo do Estado, João Henrique Caran (Novo), teve o apoio de apenas dezenas de eleitores, na manhã deste 7 de setembro, na Capital.